Longe de se tratar de uma doença benigna, a varicela (catapora) é uma doença viral que, se não complicar, implica em muito desconforto, riscos desnecessários e faltas à escola ou ao trabalho. Para crianças menores de 1 ano, cujas mães não tiveram a doença e, também para gestantes, adolescentes e adultos, o risco de complicações é maior.
Anualmente, com os meses da primavera, chegam os surtos de catapora na cidade. 90% dos casos ocorrem em menores de 10 anos e 60% deles em menores de 4 anos de idade. Sendo assim, as creches e escolas serão o palco de surtos que duram de 2 a 4 meses, deixando vulneráveis seus alunos, professores e demais profissionais. As possíveis complicações da catapora são: infecções bacterianas de pele moderadas a graves, encefalite, síndrome de Reye, pneumonia, complicações hemorrágicas, herpes zoster e síndrome da varicela congênita.

ESQUEMA DE APLICAÇÃO: A primeira dose da vacina deve ser aplicada com 1 ano de idade e a segunda aos 4 anos de idade. Para pessoas que iniciaram o esquema de vacinação após os 4 anos de idade, aplicar 2 doses, com intervalo de 3 meses entre as doses.



A caxumba apresenta-se, principalmente, em crianças, mas é mais grave no adulto. Entretanto, desde a criação da vacina, a incidência da caxumba, bem como as complicações associadas à doença, diminuíram acentuadamente.
O homem é o único reservatório natural. A transmissão do vírus ocorre pela disseminação de gotículas das vias respiratórias ou por contato direto com a saliva de uma pessoa infectada.

O período de contágio vai de 1 a 2 dias (até 7 dias) antes do início dos sintomas e até 9 dias depois. O período de incubação é de 2 a 3 semanas.
As características da caxumba a classificam como uma doença sistêmica, benigna, que provoca aumento da parótida, unilateral ou bilateral. Entretanto, podem ocorrer outras manifestações, que agravam o curso da doença.
As complicações, como orquite e meningoencefalite, são mais freqüentes no adulto do que na criança. A meningite clínica ocorre em 1 a 10% dos casos, podendo manifestar-se antes, durante ou após o aumento de tamanho das parótidas.
Uma grande porcentagem de casos de meningite por caxumba ocorre em pacientes sem inflamação das parótidas. Os homens são três vezes mais afetados que as mulheres.
A encefalite, muito mais grave e mais rara que a meningite, ocorre em 1/6.000 casos de caxumba. Outra grande preocupação é a orquite. Esta é a manifestação extraparótida mais freqüente no homem, chegando a atacar 20 a 30% dos homens pós-púberes com caxumba. Raramente leva à esterilidade. Em mulheres pós-puberes pode ocorrer inflamação dos ovários.
Provavelmente, a caxumba é a causa mais freqüente de perda auditiva neurosensorial unilateral na criança. A incidência estimada desta complicação é de 5 em 10 mil casos de caxumba.
Embora o vírus da caxumba possa atravessar a placenta, não existem evidências de malformações derivadas da infecção. Só se tem certeza de uma maior freqüência de abortamentos.

ESQUEMA DE APLICAÇÃO: A vacina utilizada para a prevenção da caxumba é a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola ou MMR). A primeira dose é dada aos 12 meses de idade e um reforço é dado dos 4 aos 6 anos de idade. Todo indivíduo deve ter registro de 2 doses da vacina em sua caderneta. Para adolescentes e adultos com uma apenas uma dose registrada, fazer o reforço.




A coqueluche consiste em uma infecção aguda do trato respiratório, que se inicia com sintomas leves das vias respiratórias superiores, evoluindo para paroxismos intensos de tosse, muitas vezes acompanhados por um guincho respiratório típico, podendo estar acompanhado de vômitos. A doença é causada pela Bordetella pertussis, altamente contagiosa em ambientes de alta densidade demográfica, podendo ser de extrema gravidade em lactentes com menos de um ano de vida. O período de incubação da doença dura de 7 a 15 dias. Os sintomas da coqueluche clássica persistem por 6 a 10 semanas, contudo, mais da metade dos casos primários duram menos de 6 semanas. As complicações da coqueluche incluem convulsões, pneumonia e encefalopatia.

ESQUEMA DE APLICAÇÃO: A vacinação ativa contra a coqueluche implementada a partir da década de 40, levou ao declínio da incidência e da mortalidade pela doença, entretanto a coqueluche não foi erradicada nem tampouco deixou de representar um importante fator de mortalidade infantil.
A vacina composta por bactérias mortas ¨inteiras¨ disponível na forma combinada com os toxóides tetânico e diftérico (vacina tríplice) mostrou-se altamente eficaz.
A vacina é dada em três doses, aos 2, 4 e 6 meses de idade, com reforço aos 15 meses de idade e um segundo reforço dos 4 aos 6 anos de idade. Após: É recomendado que pelo menos o primeiro reforço aos 14 anos de idade seja feito com a tríplice bacteriana acelular.
Devido à alta incidência de reações adversas observadas após a adminstração desta vacina, procurou-se desenvolver vacinas alternativas que associassem alta eficácia e maior segurança. As vacinas acelulares, desenvolvidas mais recentemente, são constituídas por componentes purificados da B. pertussis, ao invés de bactérias ¨inteiras¨ mortas, e disponíveis na forma combinada com os toxóides tetânico e diftérico, Estas vacinas (Tríplice Acelular), tem-se mostrado bastante eficazes, sendo que as reações adversas relacionadas à vacinação são pouco freqüentes. O esquema de imunização com a vacina Tríplice Acelular é idêntico ao esquema convencional.


A difteria apresentou uma redução importante na região das Américas, como resultado da vacinação com DTP, em todos os países, a partir do final da década de 70. Entretanto, em 1978 foram relatados aproximadamente 6.800 casos e, em 2000, 113 casos.
Em 1994 houve um surto no Equador, com mais de 400 casos. Na Colômbia, em 2000, aconteceram 12 casos e, em 2002, no Paraguai, um surto com 38 casos foi confirmados.
O único hospedeiro é o homem, sendo possível o estado de portador. A transmissão é feita através do contato com exsudatos e/ou lesões do doente ou portador, raramente através de objetos contaminados.
O período de incubação é, em média, de 2 a 5 dias, variando entre 1 a 10 dias. O período de transmissibilidade é de, no máximo, duas semanas sem medicação antibiótica. Com medicação antibiótica, menos de quatro dias. Podem haver portadores crônicos, mesmo após a terapia antimicrobiana.
As manifestações clínicas variam de acordo com a localização anatômica da doença: nasal, faríngea, traqueobrônquica e cutânea.
A apresentação mais freqüente é a faringomigdalite. O quadro clínico da difteria é de início gradual, com febre que não ultrapassa 38,5ºC e sintomas não específicos, como mal-estar geral e irritabilidade.
Inicialmente, a faringe encontra-se vermelha, com exsudato em placas, os quais confluem em 2 a 3 dias, formando características membranas que recobrem a faringe, incluindo as amígdalas, úvula e palato mole, de aspecto acinzentado, espessas e firmemente aderidas, com sangramento ao tentar desprendê-las.
O paciente pode apresentar adenopatias cervicais de tamanho variável e dolorosas, e edema do tecido adjacente que podem dar aparência de “pescoço taurino”. Apesar da febre não ser geralmente muito elevada, o paciente parece tóxico. As membranas podem prolongar-se para a árvore traqueobrônquica, causando pneumonia e obstrução respiratória. Se não houver complicações, estas membranas faríngeas tendem a se desprender de forma espontânea em aproximadamente uma semana, com melhora dos sintomas sistêmicos.
A difteria laríngea é mais freqüente em crianças menores de 4 anos de idade. Caracteriza-se por febre pouco elevada, estridor e disfonia, podendo ser a única localização do processo ou a conseqüência da disseminação da difteria faríngea ou nasal. Esta última caracterizada por rinorréia sanguinolenta, visualizando-se as membranas no septo-nasal.
A difteria cutânea é uma infecção de evolução insidiosa, que normalmente afeta a pele com lesões anteriores como queimaduras, e constitui uma fonte de infecção para indivíduos suscetíveis.
A maioria das mortes por difteria é devida aos efeitos da toxina em vários órgãos, principalmente o miocárdio (miocardite precoce entre o 3º e 7 º dia, geralmente com evolução fatal, e miocardite tardia, após a segunda semana de evolução). A maioria pouco freqüente. Outras complicações de apresentação geralmente tardia incluem neuropatia periférica (20%) que, em geral, começa em 2 a 8 semanas após o início da doença, neurite periférica, paralisia palatina, com a conseqüente voz anasalada e regurgitações, e afecção de músculos extra-oculares. Normalmente, estas complicações desaparecem sem seqüelas.

ESQUEMA DE APLICAÇÃO: A vacina utilizada para a prevenção da difteria é a vacina tríplice bacteriana (difteria, tétano e coqueluche ou DTP). A vacina é dada em três doses, aos 2, 4 e 6 meses de idade, com reforço aos 15 meses de idade e um segundo reforço dos 4 aos 6 anos de idade. Após: reforço a cada 10 anos por toda a vida.
Esta vacina pode ser combinada a outras vacinas aplicadas na mesma data, diminuindo o número de picadas.



Trata-se de uma doença infecto-contagiosa causada pela bactéria Neisseria meningitis, também chamada meningococo, podendo se manifestar de diferentes formas: como uma meningite, limitada à nasofaringe (mucosa do nariz e da garganta), ou como forma disseminada pelo organismo (meningococcemia), a mais grave.
A transmissão se dá no contato pessoa a pessoa (a forma indireta é muito questionada) através das secreções de nasofaringe (sendo mais frequentes a partir de portadores sãos do que de doentes), sendo que após 24 horas de tratamento o meningococo pode ser eliminado das secreções, porém o portador pode manter a bactéria na orofaringe por até 10 meses.
O período de incubação varia entre 2 e 10 dias, mas em geral se situa na faixa de 3 a 4 dias.
A doença meningocóccica tem início abrupto e evolução rápida, podendo levar ao óbito em menos de 24 a 48 horas. As manifestações iniciais da meningite são febre alta, prostração, dor de cabeça, vômitos, além de dor e dificuldade na movimentação do pescoço (rigidez de nuca). Em crianças com menos de um ano de idade, as manifestações da meningite podem ser mais inespecíficas como febre, irritação, choro constante e abaulamento da fontanela (“moleira”) sem rigidez de nuca. Se não for rapidamente tratada com antibióticos, a doença pode evoluir com confusão mental e coma. A meningococcemia é a forma mais grave de apresentação da infecção pelo meningococo e as manifestações iniciais são semelhantes às da meningite com aparecimento na pele de pequenas manchas violáceas (petéquias) que inicialmente são semelhantes a picadas de mosquitos, mas que rapidamente aumentam de número e de tamanho. O risco maior da doença meningocócica é a evolução rápida para o choque (diminuição acentuada da pressão arterial), o que resulta em funcionamento inadequado de órgãos vitais (como os rins, coração e pulmão) e morte. Cerca de 15 a 20% dos casos apresentam meningococcemia sem meningite, que tem letalidade próxima de 70% em países em desenvolvimento.
As complicações da meningococcemia geralmente são graves, podendo deixar seqüelas. As mais freqüentes são: necrose profunda com perda de substância de áreas externas; surdez parcial ou completa; miocardite, pericardite; complicações neurológicas: paralisias, paresias, abscesso cerebral, hidrocefalia; artrite durante a fase aguda.

ESQUEMA DE APLICAÇÃO: A vacinação anti-meningocócica deve ser iniciada o mais precocemente possível e está indicada a partir dos 3 meses de idade. Isso porque a doença é mais grave e mais incidente no primeiro ano de vida.

O esquema de doses da vacina meningocócica varia de acordo com a idade de início da vacinação:

IDADE DA 1ª DOSE
DOSES
REFORÇO
3 - 11 meses
2
12 meses
12 meses
única
não





Principalmente a septicemia (infecção generalizada), a meningite e a pneumonia. Além disso, é a causa mais freqüente de sinusite e otite média aguda. Doenças pneumocócicas matam quase 1 milhão de crianças por ano, 90% delas nos países em desenvolvimento. No Brasil, a mortalidade por pneumonia quase sempre é devida ao pneumococo, isto é, o pneumococo é a principal causa de morte por pneumonia, principalmente em crianças pequenas.

A população de maior risco para aquisição de doença pneumocócica grave está entre indivíduos com menos de cinco ou mais de 65 anos. Existem outros grupos de risco para doença pneumocócica como crianças com anemia falciforme, pacientes que não têm o baço e pacientes HIV positivos.
Condições que interferem na imunidade das pessoas (defeitos na formação de anticorpos) têm grande importância no risco para infecção pneumocócica. Dessa forma, a incidência de doença pneumocócica é elevada nas imunodeficiências, na infecção pelo HIV, nos diabéticos.

A transmissão ocorre de um indivíduo para outro através do contato íntimo, por meio de gotículas de saliva, geralmente associada a aglomerações. A transmissão ocorre mais nos meses de inverno e início da primavera.
Atualmente existem dois tipos de vacinas antipneumocócicas disponíveis no mercado: a vacina polissacarídica (Pneumocócica 23-valente) e a vacina conjugada (Pneumocócica 7-valente)
A vacina Pneumocócica 23-valente não é eficaz para crianças abaixo de 2 anos de idade e pouco eficaz em crianças de outras idades. A resposta imunológica das crianças desta faixa etária não é boa, com baixa produção de anticorpos específicos, queda rápida dos seus níveis e não ocorre fenômeno de memória quando há reexposição. Por outro lado, entre adultos, idosos e pacientes com doença de base, a eficácia é bastante satisfatória para formas graves da doença.

ESQUEMA DE APLICAÇÃO: A vacinação anti-pneumocócica deve ser iniciada o mais precocemente possível e está indicada a partir dos 2 meses de idade. Isso porque a doença é mais grave e mais incidente no primeiro ano de vida.
O esquema de doses da vacina conjugada 7-valente varia de acordo com a idade de início da vacinação:

IDADE DA 1ª DOSE
DOSES
REFORÇO
2 -6 meses
3

15 meses

7 -12 meses
2
15 meses
12 – 24 meses
2
não
2 – 9 anos
1
não

A vacina anti-pneumocócica 23 valente deve ser aplicada em dose única naquelas situações em que está indicada. A necessidade de reforço, 5 anos após, deve ser avaliada pelo médico.



O rotavírus é um dos principais responsáveis pelas diarréias nas crianças. Até os 3 anos de idade, quase todas elas já tiveram ao menos um contato com este vírus. As diarréias também podem ser causadas por bactérias, parasitas ou toxinas produzidas por microorganismos que contaminam os alimentos.
O primeiro ataque do rotavírus ocorre na grande maioria dos casos entre os 3 e os 24 meses de idade, quando ainda não se desenvolveram defesas efetivas contra esta infecção. O vírus se transmite de uma criança a outra através das fezes e às vezes através da saliva; a criança pode ser contaminada na creche, numa festa de aniversário ou pelo contato com o irmão ou outras pessoas. Os sinais iniciais são vômitos e febre, seguidos de diarréia que pode perdurar por até 7 dias.
Se a gastroenterite por rotavírus não for corretamente tratada, poderá ocorrer o óbito, já que uma criança pode ficar desidratada grave com 10 a 20 evacuações diárias. Na América Latina, de 12.000 a 15.000 crianças morrem todos os anos por gastroenterite por rotavírus.

ESQUEMA DE APLICAÇÃO: A vacina contra o rotavírus está indicada para todas as crianças menores de 6 meses de idade. De administração oral, a primeira dose deve ser dada entre 6 e 14 semanas de vida, e a segunda dose após 2 meses da primeira. É praticamente isenta de efeitos colaterais, e tem uma eficácia em torno de 75% para qualquer forma da doença e cerca de 100% para as formas graves. Por enquanto, seu uso está restrito à essa faixa etária.



A gripe é uma doença contagiosa, causada pelo vírus influenza, que é transmitido por pessoas infectadas para o nariz e garganta de terceiros. A doença pode causar febre, tosse, dor de garganta, dor de cabeça, calafrios, dores musculares e cansaço.
Algumas pessoas ficam bem mais doentes: a gripe pode acarretar pneumonia, sendo perigosa para pessoas com problemas no coração ou nos pulmões, e pode provocar febre alta e convulsões em crianças.

Os vírus influenza estão sempre se modificando. Por isso, a vacina contra a gripe é atualizada todos os anos e é recomendável tomá-la anualmente. A proteção desenvolve-se em até duas semanas após a vacinação e dura cerca de um ano.
A vacina é inativa, composta por vírus mortos, por isso, não causa a doença. Algumas pessoas desenvolvem a doença logo após a vacinação, porque o vírus já estava no organismo e estas pessoas teriam a doença independente de ter ou não tomado a vacina.

Todas as pessoas que desejam evitar a gripe, a partir dos 6 meses de idade, podem tomar a vacina, sendo que as principais indicações são para:

Indivíduos com mais de 60 anos de idade
Crianças menores de 2 anos de idade
Indivíduos com algum tipo de doença crônica como diabetes, insuficiência renal, cardiopatias, doenças pulmonares crônicas.
Indivíduos com algum tipo de imunodepressão (HIV/AIDS).
Mulheres grávidas que passarão o terceiro trimestre de gravidez durante o período de gripe (inverno) - Importante: a vacina é contra-indicada para mulheres no primeiro trimestre de gestação.

ESQUEMA DE APLICAÇÃO: O esquema vacinal varia de acordo com a idade.
Dos 6 aos 35 meses de idade: 2 doses com intervalo de 30 dias entre elas.
Dos 3 aos 9 anos de idade: 2 doses com intervalo de 30 dias entre elas.
A partir dos 9 anos de idade: dose única
Observação: A vacina utilizada antes dos 3 anos de idade tem menor quantidade de antígeno que a vacina utilizada após esta idade.


A hepatite A é uma das doenças de maior impacto epidemiológico em áreas de pobreza, onde uma grande massa populacional adquire a infecção em idade precoce. Ao mesmo tempo, tem uma repercussão notável em grupos de classe social alta que, pelo maior percentual de suscetíveis, desenvolvem a doença mais tardiamente e, paradoxalmente, com maior sintomatologia. O único reservatório conhecido do vírus da hepatite A é o ser humano.
A transmissão do vírus ocorre principalmente por via fecal-oral, tanto de pessoa para pessoa como por ingestão de água ou alimentos contaminados. A excreção fecal é a principal fonte de vírus na transmissão de pessoa para pessoa.
O vírus é excretado em matéria fecal entre 14 e 21 dias antes do início da icterícia (período de maior infectividade) e por até 8 dias após o início da icterícia. Os lactentes e crianças eliminam o vírus por um período mais longo em comparação aos adultos.
A resistência do vírus ao calor permite, por exemplo, que ele se mantenha ativo em alimentos cozidos em vapor (moluscos, pescados, etc) e sua resistência a meios ácidos permite que ele seja transmitido através de maioneses e outros condimentos e guarnições ácidas.
Na infância, a maioria dos casos de hepatite A é assintomática, especialmente em menores de 5 anos de idade. Em crianças maiores, adolescentes e adultos, a doença manifesta-se clinicamente na grande maioria dos casos.
Na América Latina ocorrem cerca de 1.500 a 2.000 casos de hepatite fulminante, sendo o vírus da hepatite A responsável por 70% dos casos, com letalidade superior a 50%

ESQUEMA DE APLICAÇÃO: Primeira dose a partir dos 12 meses de idade e segunda dose 6 meses após. Pode ser associada à vacinação contra Hepatite B. Existe no mercado uma vacina combinada: Hepatite A + Hepatite B, que deve ser aplicada no esquema de 3 doses: aos 0, 1 e 6 meses.



A infecção por hepatite B é um sério problema de saúde pública mundial. Atualmente, estima-se que 2 bilhões de pessoas foram infectadas no mundo todo e que 350 milhões de pessoas convivam com infecção crônica por hepatite B. O vírus da hepatite B (VHB) está presente no sangue, fluidos e líquidos orgânicos, como leite materno, lágrimas, saliva e urina, tanto dos portadores assintomáticos quanto dos que apresentam uma infecção aguda ou crônica. A transmissão vertical ou perinatal (de mãe para filho) é a via mais comum em todo mundo, que permite a perpetuação da doença, pois uma alta porcentagem das crianças infectadas desenvolverá a hepatite B crônica (90%). O contágio continua ativo entre os dependentes de drogas endovenosas. Até 75% destes apresentam evidência atual ou passada desta infecção. Acupuntura, tatuagens, perfurações de orelhas, piercings, etc., também são mecanismos parenterais de transmissão ainda vigentes.
A infecção pelo VHB pode levar a uma ampla variedade de afecções que vão desde a hepatite aguda de duração e gravidade variável até a hepatopatia crônica de evolução mais sombria.
Nas crianças, ao contrário do que ocorre na idade adulta, a infecção pelo VHB em faixas muito precoces de idade, sobretudo as crianças que se infectaram por transmissão vertical, tem maior risco de evoluir para formas crônicas e posterior desenvolvimento de complicações.
A infecção por hepatite B está fortemente associada ao carcinoma hepatocelular.

ESQUEMA DE APLICAÇÃO: 3 doses, sendo a segunda aplicada 1 mês após a primeira, e a terceira dose 6 meses após a primeira. Não é necessário reforço. Pode ser associada à vacinação contra Hepatite A. Existe no mercado uma vacina combinada: Hepatite A + Hepatite B, que deve ser aplicada no mesmo esquema de 3 doses.



As infecções invasivas por Hib são reconhecidas como um problema de saúde pública que afeta crianças menores de 5 anos de idade. Segundo estimativas da OMS, o Hib é responsável por mais de 350 mil mortes anuais por pneumonia e de 250 mil mortes por meningite em crianças menores de 5 anos de idade no mundo em desenvolvimento.
Incluem-se como fatores de risco específicos para a aquisição de doença invasiva pelo Hib, os contatos íntimos com portador do Hib ou com doença causada por este agente, idade, freqüência a creches, aglomeração, virose prévia e aleitamento materno.
A bactéria Haemophilus influenzae do tipo b pode causar epiglotites em crianças mais velhas; nas menores, as bactérias podem vencer a mucosa respiratória causando pneumonia, ou meningite.

Epiglotite - Tipicamente começa de repente com uma dor de garganta e febre e se desenvolve rapidamente. A epiglote fica vermelha vivo e dolorida e incha obstruindo as vias respiratórias. Se o tratamento não for iniciado prontamente, ou for ineficaz, a criança pode morrer por sepse ou por obstrução respiratória.
Meningite - Freqüentemente começa com sintomas como uma infecção branda do trato respiratório. Depois a criança repentinamente piora e apresenta dor de cabeça, fotofobia, febre, dor nas juntas, vômitos, cansaço e delírio. Mesmo quando o diagnóstico é feito logo e o tratamento é iniciado rapidamente a taxa de letalidade, no geral, pode chegar a até 5%. E até 50% dos sobreviventes sofrem efeitos posteriores permanentes tais como perda auditiva, visão prejudicada e retardo mental.

Pneumonia -
Suas características clínicas são similares àquelas de outras pneumonias bacterianas (febre, calafrio, respiração rápida baixa, tosse e dor no peito). A nasofaringe é, provavelmente, a porta de entrada do Hib. Seu modo mais importante de transmissão é através de secreções do trato respiratório ou secreções nasais. A colonização da mucosa é um fenômeno complexo e dinâmico, sendo o trato respiratório superior o local da maioria das doenças causadas pelo Hib. Otite média, sinusite ou bronquite podem ocorrer por disseminação contígua de foco de infecção no trato respiratório.

ESQUEMA DE APLICAÇÃO: A vacina utilizada para a prevenção das infecções causadas pelo Hib pode ser aplicada isoladamente ou associada a outras vacinas como vacina tríplice bacteriana dando origem à tetravalente. Esta pode ser asssociada à vacina contra poliomielite dando origem à Pentavalente, que associada à vacina contra Hepatite B origina a vacina Hexavalente.
A vacina é dada em três doses, aos 2, 4 e 6 meses de idade, com reforço aos 15 meses de idade.



HPV – papilomavírus humano é um vírus comum, que infecta tanto mulheres quanto homens em todo o mundo. Este vírus pode ser encontrado na pele e nas mucosas, principalmente na região genital. Existem aproximadamente 100 tipos diferentes de HPV identificados. Destes, aproximadamente 35 tipos infectam a mucosa anogenital.
Alguns tipos causam apenas verrugas, como é o caso do HPV-6 e do HPV-11. Porém, existem outros tipos de HPV, conhecidos como oncogênicos ou de alto risco, que podem causar lesões que, se não tratadas, podem levar ao câncer do colo do útero.
A infecção por HPV oncogênico representa atualmente o fator de risco mais importante para o desenvolvimento do câncer do colo do útero. Os tipos de HPV oncogênicos mais comuns são o HPV-16, 18, 45 e 31, sendo responsáveis por mais de 80% casos de câncer do colo do útero.
Estudos comprovam que 50 a 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV ao longo da vida, representando a doença sexualmente transmissível (DST) viral mais comum no mundo. Apesar desse elevado percentual, muitas infecções são transitórias (60%), o que é extremamente comum em mulheres jovens. Entretanto, as infecções persistentes são encontradas em 5% a 10% das mulheres com 35 anos ou mais, fato que está associado com um aumento do risco de desenvolvimento de câncer do colo do útero.
A transmissão deste vírus ocorre através do contato sexual. Mesmo que não haja penetração, pode haver transmissão do vírus pelo simples contato pele a pele.
Como o HPV é um vírus sexualmente transmissível, o uso de preservativos diminui, apesar de não evitar totalmente, a possibilidade de transmissão durante a relação sexual. Além disso, toda mulher que tem ou já teve atividade sexual deve submeter-se a exame preventivo periódico (exame de Papanicolau), especialmente se estiver na faixa etária dos 25 aos 59 anos de idade. Prevenção eficaz contra a infecção por HPVs oncogênicos foi demonstrada através de vacinação, mas esta não elimina a necessidade de realização do Papanicolau.
Já foram aprovadas e já estão sendo comercializadas vacinas contra o HPV: A vacina quadrivalente contra o HPV tipos 6, 11, 16 e 18, protege contra os 2 sorotipos que mais frequentemente causam câncer de colo de útero e os 2 que causam verrugas genitais, produzida pelo laboratório Merck Sharp Dohme. A vacina bivalente, contra os sorotipos 16 e 18, desenvolvida pelo laboratório GlaxoSmithKline, produz imunidade cruzada contra os sorotipos 31 e 45, também causadores de câncer de colo de útero.

ESQUEMA DE APLICAÇÃO: A vacina quadrivalente (MSD) está aprovada para uso em adolescentes e mulheres de 9 a 26 anos de idade num esquema de 3 doses com intervalo de dois meses entre a primeira e a segunda, e quatro meses entre a segunda e a terceira dose.
A vacina bivalente (GSK) está aprovada para uso em adolescentes e mulheres de 10 a 25 anos de idade num esquema de 3 doses com intervalo de um mês entre a primeira e a segunda, e cinco meses entre a segunda e a terceira dose.




É uma doença infecciosa aguda causada por um vírus chamado de Poliovírus (três tipos distintos: 1, 2 e 3). Transmitida pela água, alimentos e pelo ar.
O quadro clínico começa com sintomas gerais como febre (raramente maior que 39ºC), mal estar, falta de apetite, náuseas, vômitos, dor de cabeça e de garganta, dor abdominal não localizada. Depois de alguns dias aparece dificuldade para urinar e evacuar, evoluindo para paralisia de um ou mais grupos musculares tornando difícil locomover-se, comer ou até impedir a respiração, levando ao óbito. O tratamento consiste em terapia de suporte respiratório e oferta de líquidos e nutrientes evitando a desidratação e a desnutrição.
Nos dias atuais, segundo dados da OMS (Organização Mundial de Saúde), mais de 150 mil casos novos ocorrem por ano no mundo, principalmente em alguns países da África e Ásia. O último caso registrado no Brasil foi em 1989, na Paraíba, e no ano de 1994, nosso país recebeu o Certificado de Erradicação da Poliomielite, sucesso este devido à estratégia vacinal realizada a partir de 1980 com os Dias Nacionais de Vacinação duas vezes ao ano.

ESQUEMA DE APLICAÇÃO:

Sabin (OPV)
Foi desenvolvida por Sabin e é utilizada no Brasil desde 1962. É aplicada na forma oral e é composta por vírus vivos atenuados. Sua grande vantagem é a facilidade de administração e a imunização dos contactantes. Não deve ser utilizada em crianças hospitalizadas, imunodeficientes ou que tenham contato com imunodeficientes domiciliares. Nestes casos deve ser feito uso da vacina inativada.

Salk (IPV)

Foi desenvolvida por Salk em 1954 e desde Janeiro de 2000 é a única vacina contra Pólio que é utilizada nos Estados Unidos. É aplicada de forma injetável e é composta por vírus inativados. No Brasil, assim como em outros países em que a Poliomielite está controlada há anos, os únicos casos notificados de paralisia infantil são conseqüência do próprio vírus vacinal que, embora esteja enfraquecido, pode sofrer uma mutação e tornar-se agressivo causando a paralisia após vacinação. A ocorrência de paralisia após o uso Sabin é estimada em 1 caso para cada 750.000 primeiras doses aplicadas. Esta proporção vai diminuindo com o aumento da idade. Este efeito adverso não ocorre com a vacina inativada (Salk), podendo ser usada inclusive nos casos em que a vacina oral está contra-indicada. Sua eficácia é praticamente 100% desde os anos 80 quando sofreu algumas modificações e sua potência foi aumentada. É recomendável que a criança que utilize a vacina SALK, receba pelo menos 2 doses desta vacina, antes de participar das campanhas de vacinação com a vacina Sabin.



O sarampo é uma doença exantemática, viral, ocorrendo em todo mundo e que tem uma alta taxa de morbidade e letalidade. Atualmente, estima-se que cerca de um milhão de crianças morram anualmente devido às complicações do sarampo.
O sarampo é transmitido por contato direto por meio de gotículas de secreções nasofaríngeas infectadas ou, mais raramente, por disseminação aérea. Os pacientes se contagiam entre 1 e 2 dias antes do surgimento dos sintomas e até 4 dias após o desaparecimento do exantema.
O sarampo é uma doença aguda, caracterizada por febre, exantema, conjuntivite.Em condições normais, o sarampo é uma doença debilitante que compromete o estado geral do paciente infectado.

ESQUEMA DE APLICAÇÃO: A vacina utilizada para a prevenção do sarampo é a vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola ou MMR). A primeira dose é dada aos 12 meses de idade e um reforço é dado dos 4 aos 6 anos de idade. Todo indivíduo deve ter registro de 2 doses da vacina em sua caderneta. Para adolescentes e adultos com uma apenas uma dose registrada, fazer o reforço.



Apesar de o tétano ser uma doença que pode ser prevenida e controlada por vacinação, já que esta se apresenta quase exclusivamente em pessoas não vacinadas ou com esquema de imunização inadequado, são reportados no mundo, anualmente, cerca de um milhão de mortes por esta doença, e a grande maioria delas ocorre em países em vias de desenvolvimento. O tétano neonatal (TNN) ocorre em filhos de mães não vacinadas ou imunizadas de maneira inadequada, que nascem em más condições de higiene. Não há imunidade natural contra o tétano.
Vários fatores contribuíram para a redução dos casos de TNN. Entre outros,
encontra-se a urbanização da população rural, o que facilita o acesso aos serviços de saúde, aumentando o número de partos limpos e de mulheres grávidas vacinadas.
Os resultados de pesquisas realizadas nas comunidades indicam que as taxas de mortalidade podem variar entre 5 e 60 por 1.000 nascidos vivos. Estas mortes representam entre 23% e 72% de todas as mortes neonatais. Estima-se que o total de mortes devidas ao TNN ultrapasse 500 mil por ano, mundialmente. A mortalidade é bastante elevada, variando entre 50% e 80% nas diversas regiões. A doença não confere imunidade. A principal fonte de infecção do tétano é o solo contaminado com esporos de bacilo de tétano. Tais esporos também podem ser encontrados no pó, roupa, seringas e outros instrumentos não esterelizados como os que são normalmente utilizados em partos caseiros. Os esporos podem sobreviver muitos anos. O tétano é uma doença infecciosa aguda, não contagiosa. O tétano se desenvolve devido à introdução, no organismo, de esporos do bacilo tetânico presentes em material contaminado. O tétano é causado pela toxina do bacilo Clostridium tetani, o qual penetra no organismo através de feridas ou lesões contaminadas.

Clinicamente, distinguem-se três tipos:
Tétano generalizado: representa 80% dos casos, com um período de incubação de 7 a 14 dias, que se manifesta por espasmos intensos, trismo e, em alguns casos, opistótono.
Tétano localizado: se manifesta por espasmos localizados na área afetada.
Tétano cefálico: se origina a partir de uma ferida na cabeça ou por penetração direta de esporos através de orifícios naturais.
Tétano neonatal (TNN): na realidade, é uma forma generalizada que normalmente é adquirida através do cordão umbilical, e se inicia com espasmos e contrações progressivas que se podem manifestar como opistótono, o estado de consciência não se altera e a febre é moderada na ausência de infecção associada.
Geralmente, o TNN resulta da contaminação do cordão umbilical pelos esporos de Clostridium tetani. No tétano neonatal as manifestações clínicas se apresentam dentro de 3 a 28 dias de vida, em média 7 dias, por isso é chamado de mal dos 7 dias, e são:
Como primeiro sinal, geralmente a partir do terceiro dia de vida, o recém-nascido deixa de mamar pela dificuldade de apreensão do seio materno. O trismo (espasmo dos músculos da mastigação) leva ao surgimento do riso sardônico.
Posição característica, com as pernas estendidas e os braços dobrados junto ao tórax, mantendo as mãos fechadas, com dificuldade para abri-las.
Crises generalizadas de contração, levando a opistótono, que dura poucos minutos. Entre as crises, a criança parece normal.

ESQUEMA DE APLICAÇÃO: A vacina utilizada para a prevenção do tétano é a anti-tetânica. Esta pode ser associada à anti-diftérica (dupla adulto) e à anti-coqueluche (tríplice bacteriana, DTP). A vacina é dada em três doses, aos 2, 4 e 6 meses de idade, com reforço aos 15 meses de idade e um segundo reforço dos 4 aos 6 anos de idade. Após: reforço a cada 10 anos por toda a vida.
Mulheres grávidas: O esquema vacinal pode ser em dose única, no caso da gestante já apresentar imunização prévia contra o Tétano, aplicada por volta do 7º ao 8º mês de gestação. Quando não há imunização prévia ou se desconhece o estado vacinal daquela gestante, o esquema é feito com 3 doses de vacina, sendo as duas primeiras aplicadas respectivamente, no 6º e 8º mês de gestação, e a terceira , 2 a 4 meses após o parto. Para esta dose pós-parto é recomendável o uso da vacina tríplice acelular bacteriana, que visa diminuir o possível estado de portador da bactéria causadora da coqueluche na mãe.